Resenhando GoT: A Justiça da Rainha

Nada mais das cenas de exércitos vagando pela Estrada Real, ou no Mar de Grama ou por qualquer trilha além da Muralha. A sétima t...




Nada mais das cenas de exércitos vagando pela Estrada Real, ou no Mar de Grama ou por qualquer trilha além da Muralha. A sétima temporada de Game of Thrones é urgente, não tem material de apoio que não seja si própria e o que precisa acontecer acontece e pronto.

Assim chegamos à praia de Pedra do Dragão no barquinho xexelento de Jon e Davos, altamente hispter minimalista em contraposição com toda a pompa e circunstância da Rainha dos Dragões. Não há nos dois visitantes, nada que lembre uma corte. Mal e mal Jon veste a armadura Stark. São homens que não tem tempo a perder com rapapés, salamaleques, minúcias de etiqueta. O inverno chegou, os caminhantes brancos já bafejam na nuca da Muralha e tudo que eles não tem é tempo a perder.

Ao contrário, tudo em Pedra do Dragão denota preocupação com o aparentar. Daenerys sempre teve um cuidado meticuloso para receber ou ser apresentada a grandes autoridades. Sempre se vestiu de acordo com as tradições de onde pisava. Sabia que precisava encantar e impor com sua aparência tanto quanto com seus dragões. Sua corte tem uniformes e brasões novos e lustrosos, o caminho entre a areia da praia e o grande salão de seu trono é todo feito a pé, para que Davos e Jon sejam oprimidos a cada passo com a grandiosidade de tudo. Inclusive dos Dragões, que fizeram com que nossos visitantes tivessem a reação mais honesta diante desses bichos que eu já vi em todas as temporadas da série.

Por tudo isso, o encontro mais esperado pelo fandom de Game of Thrones, não poderia ser mais honesto e mais broxante, para quem esperava sinos ressoando à primeira troca de olhares. Assim como sempre fez, Daenerys recebeu Jon em seu trono, mantendo uma distância intimidadora dos interlocutores. Assim como sempre, Missandei entoou a monótona e infindável sequência de títulos ao que Davos respondeu com um breve "Esse é Jon Snow... Rei do Norte".

É claro que eles iam se estranhar. Nenhum dos dois sabe da dor e das lutas que o outro enfrentou. Para Jon era só uma garotinha besta, arrotando um sobrenome, para Dani, era um mendicante soberbo que se recusa a ajoelhar.

E sobre Missandei. O questionamento de Davos causou furor nas redes sociais, com a suspeita de que a conselheira seja na verdade, a terceira traição que Daenerys irá sofrer. E se ela for uma espiã bravoise, como as teorias de que ela é na verdade um "homem sem rosto" pregam? E se ela for a voz que reporta ao inimigo, os passos da Mãe dos Dragões? Acho que terei que fazer um outro post, explicando essa treta pra vocês.

via GIPHY

Melissandre deu linha na pipa antes que um encontro com Davos e Snow levasse os roteiristas a quebrar a cabeça em como não matá-la pelas mãos do Cavaleiro das Cebolas. Vale lembrar que a atriz estava grávida (perto de dar a luz inclusive) durante as gravações e que foi em boa hora que deram um sumiço na mulher vermelha.

Mas não se preocupem, ela volta pra morrer.

Falando em morte, Euron entregou seus presentes à Cersei. E eu rolei de rir desse povo que não entende nada de Game of Thrones, mas ficou fazendo toneladas de vídeos teorizando sobre a cabeça de dragão que o Greyjoy entregaria à Rainha Lannister. Ellaria e sua filha eram o presente mais óbvio.

A justiça da Rainha veio na forma do beijo com que Ellaria burramente matou Myrcela. E a dornesa agora verá a filha definhar, morrer e apodrecer. E com isso, acaba o maior desserviço da série, que foi destruir a beleza do núcleo dornês de As Crônicas de Gelo e Fogo. Quem só assiste a série, ok, só achou que foi tarde. Quem já leu os livros ainda precisa conviver com o gosto amargo que ficou.

E o Jaime que devia ter alguma veia diretamente ligada da mão direita aos culhões? Não só é um cachorrinho obediente nas mãos da irmã, mas também engole passivamente cada jorro de desaforos saídos de Euron. A pergunta pode ter sido sobre Cersei, mas quem levou uma dedada no rabo foi o Regicida.

Mas voltaremos a falar de Frouxo Jaime depois. Vamos falar do outro cachorrinho, digo, do Mindinho

Em Winterfell vemos Sansa governando sua casa. Vi gente reclamando que depois de tanto tempo com o Ned falando que "o inverno está chegando" era ridículo que só agora se preocupassem em estocar alimentos e reforçar armaduras. Mas vale lembrar que Winterfell foi tomada por Theon e depois por Ramsay e muito do que havia no lar dos Stark foi saqueado ou destruído por esses dois ruminantes. E enquanto Sansa exerce aquilo para que foi talhada, Baelish se arrasta atrás da Senhora de Winterfell. Mas ao contrário de Jaime, ele pelo menos tem um lampejo do homem que já fora e aconselha Sansa contra tudo e contra todos, inclusive contra si mesmo.

E ao ser chamada aos portões, Sansa recebe Bran. Outro encontro da qual os fãs esperavam muito e tiveram que aceitar o que veio. E o que veio foi um garoto que carrega o peso do passado, presente e futuro num corpo quebrado. Não havia lugar ali para o calor afetuoso do menino que escalava os muros de Winterfell. E entendo a escolha do espinhoso assunto "dia do casamento" para que Sansa entendesse o que é o Corvo de Três Olhos. Só a exposição crua de uma dor tão dela, poderia levá-la a acreditar.

E passemos para as batalhas que não estão acontecendo na mente. A tomada de Casterly Rock parecia genial até o próprio Verme Cinzento verbalizar nossos pensamentos. Fácil demais. E novamente a frota de Euron, brotando do nada e reduzindo a cinzas mais uma pá de barquinhos de dona Daenerys. A gente podia até reclamar das inconsistências geográficas do acontecido, mas ah. Como eu disse antes, se o Euron tirou uma frota de mil navios do nariz, o resto é o de menos.

E aí vemos que Casterly estava vazia, porque o exército Lannister havia se retirado para a Campina, buscar em High Garden tudo que a Rainha Cersei não tem, ou seja, dinheiro e comida. E quem se importa se a cena da batalha foi omitida, se a melhor cena da noite nos foi servida em goles refinados por Olenna Tyrell? A Rainha dos Espinhos como sempre mordaz, e inteligente venceu mesmo em sua morte.

"Quero que ela saiba que fui eu"

via GIPHY


E tem o Sam. O Sam Deus Ex Machina Tarlly, que vai descobrir todos os mistérios misteriosos da trama. O tutorial do youtube  livro que ele leu estava certo e Jorah agora é um homem curado, livre e com tempo e disposição para ir atrás da sua Khaleese. E como castigo, não por ter curado, mas pelo risco de causar uma epidemia de Escamagris, ele vai ficar por conta de transcrever documentos antigos abandonados às traças.

Uma caneca de cerveja e uma galinha pra quem advinhar o que ele vai encontrar nessa papelada empoeirada.



E pra não dizer que não teve mimimi
Eu sou uma leitora dos livros que tenta muito, MUITO mesmo defender a série. Por todas as suas limitações de mídia, de verba, de tudo. Mas quando a série, ignora a si própria é demais. O que foi aquele banqueiro de Bravos, aceitando a Cersei jogar na cara dele, que eles lucram muito com o mercado escravagista em Essos? Bravos foi FUNDADA por ex-escravos. A ordem dos Homens sem Face foi criada por ex-escravos.  Navios transportando escravos são proibidos de aportar em Bravos. Teria um milhão de argumentos que Cersei poderia usar, menos esse. O diabo está nos detalhes e os detalhes sempre fizeram Game of Thrones grandiosa. Porra D&D.
***

Pode ser interessante para você

0 comentários

#ad

Flickr Images

Web Analytics