Sim, ainda somos tão jovens

Assisti "Somos tão jovens" este final de semana. Sim é um filme chapa branca, perfeito para passar na Sessão da Tarde ou na ...



Assisti "Somos tão jovens" este final de semana. Sim é um filme chapa branca, perfeito para passar na Sessão da Tarde ou na Temperatura Máxima enquanto você come o pudim de leite condensado que sua avó fez de sobremesa. É um filme leve, e para muitos esse é o seu pecado, não ser tão denso quanto Renato.

Mas sinceramente, a única coisa que me incomodou muito no filme, foi a "forçação" de barra em inserir frases das músicas da Legião Urbana em alguns diálogos. Foi desnecessário pra mim mas talvez necessário para muitos de uma geração pós 1996.

Um filme biográfico jamais será completamente fiel à história. É preciso escolher uma fatia da vida do biografado e escolher uma maneira de contá-la. Assim, "Somos tão jovens" é melancólico, piegas e em alguns momentos divertido, como o próprio Renato Russo o era.

Destaque para a fotografia. Os filtros, os planos, a câmera por vezes confusa, me deixaram encantada pelo filme. Tinha a sensação de ver minhas fotos de infância. As passagens de tempo era perceptíveis pelas mudanças do modo de vestir, dos cabelos, de alguns trejeitos.

O filme é uma sequência de sutilezas descaradas, como o amor de Renato por Flávio Lemos. Está ali, nos olhares sutil e gritante. A homossexualidade de Renato é tratada com trezentos dedos. Em tempos de discussões entre prós e contras, o filme opta por não chocar.

O grande prazer em assistir "Somos tão Jovens" é ver a atuação de Tiago Mendonça. Que Tiago o quê, é o Renato e pronto. Os recortes de respiração, o gestual, a "papada" ao cantar, os olhares, o jogar de ombros olhando pra baixo enquanto ajeita os óculos. Reconhecer outros garotos da turma da Colina também é divertido. Muitos críticos acusaram alguns de serem caricatos. Mas como fazer reconhecer se não acentuando uma ou outra característica?

Tonico Carvalho, produtor artístico de Uberaba está no filme. Sem nome nem referências, mas está lá o homem que levou a Legião Urbana a um show fora de Brasília pela primeira vez. Faltou contar que ele e os garotos da banda foram parar na cadeia em Patos de Minas. Ah mas faltou tanta coisa pra tanta gente...

No mais o filme conta a construção do Renato Russo. Mostra que o jovem Renato Manfredini Junior era uma jovem adolescente sujeito a fases e a modismos como qualquer outro garoto. Que sofreu com suas incertezas tanto quanto com sua timidez. Aborto Elétrico e Legião Urbana apenas fazem parte dessa história, não são o foco e sim a ambientação.

E para quem é fã da legião, as músicas tocadas ao vivo pelos atores chegam a fazer o peito doer de tanta nostalgia. Eu fiquei entre os sorrisos de enlevo e o sussurro das letras.

"Somos tão jovens" é um filme bonito. Raso mas bonito, poético. Feito para assistir sem xiismos, sem radicalismos. E Cíntia, continuo achando que o Negrete não fez falta nenhuma.

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