Meu nome é Kátia Flávia, a Godiva do Irajá

Fausto Fawcett com as louraças belzebu no show Básico Instinto  Estávamos eu e meu digníssmo marido Falconi  ouvindo o Nerdcast 350  q...

Fausto Fawcett com as louraças belzebu no show Básico Instinto 

Estávamos eu e meu digníssmo marido Falconi ouvindo o Nerdcast 350 quando fomos brindados pela brilhante interpretação de Kátia Flávia feita por Azaghal. Aí lá fui eu passar meu atestado de velha a limpo e contar para o Falconi sobre quem era Kátia Flávia (com direito a lembrar da letra toda e cantar pra ele), já que em 1987 ele estava ainda longe de nascer e nunca havia ouvido falar da tal música.

1987 a ditadura já havia tomado um bicudo e o rock nacional reinava soberano nas rádios e na tv. Nas noites suburbanas cariocas um jovem fazia suas performances que misturavam teatro, música e poesia. Uma de suas performances ganha as rádios; é Kátia Flávia - A Godiva do Irajá um rap com teclados e guitarras que falava incansavelmente de uma loira marginal e de suas calcinhas. Imagine, numa época em que a censura ainda riscava discos de vinil para que certas faixas não fossem ouvidas uma música que repetia a palavra "calcinha" no mínimo 30 vezes era um escândalo.

Logo veio o clip para o Fantástico (naquele tempo, ter um clip no Fantástico era o supra sumo do sucesso) e nele a Copacabana Cyberpunk de Fawcett fervilhava num clip extremamente sofisticado para o padrão da época. A fuga da Godiva do Irajá pela noite suburbana traz as pessoas do cotidiano noturno carioca, mescladas à ficção, louras famosas e também ao mundo cão. Era o Brasil no que havia de mais brasileiro mesclado à diversas referências do pop, e também à uma miséria promíscua...

Fausto Fawcett abriu com Kátia Flávia a cena para as "mulheres-objeto-personagem". Muito antes de Tiazinha, Ninja do Funk, Mulheres Fruta e outras do gênero, Regininha Poltergeist e Marinara já povoavam o imaginário masculino com sua representação da loura fatal, devoradora de homens. 

A música

Kátia Flávia - A Godiva do Irajá basicamente conta a história de uma jovem marginal (ex miss Febem, casada com um contraventor) que não satisfeita em andar pelas noites suburbanas nua em um cavalo branco (alusão a Lady Godiva), mata o marido, rouba uma viatura da polícia e os desafia a pegá-la, num contato pelo rádio. Basicamente. Porque se for fazer uma análise mais profunda, daria um tratado de sociologia.


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