Colégio Dr. José Ferreira proibe aluna de assistir aulas

Bell Diamantino, 16 anos, proibida de assistir aulas por ter o cabelo azul Isabella Fujocka Diamantino, ou simplesmente Bell Diamantino...


Bell Diamantino, 16 anos, proibida de assistir aulas por ter o cabelo azul

Isabella Fujocka Diamantino, ou simplesmente Bell Diamantino, 16 anos, aluna do 2° ano do ensino médio no Colégio Cenecista Dr. José Ferreira, está PROIBIDA de frequentar as aulas por ter seu cabelo pintado de azul. O caso foi exposto por seu pai hoje num desabafo em sua página do facebook e rapidamente se alastrou entre os perfis de amigos.

Quando pensamos que os níveis de respeito (me recuso a usar o termo tolerância) estão melhorando, vemos que Uberaba continua a mesma dos nossos pais, avós, a mesma Uberaba pequena descrita por Orlando Ferreira em Terra Madrasta.

Não nos interessa quem você é, mas é importante que você mantenha as aparências.


E no caso, a aparência, a falsa sensação de regularidade e disciplina, atacou uma adolescente no que é mais caro a um adolescente: o seu direito a definir e determinar sua identidade.

Isso mesmo pessoas. Ela não quebrou nenhuma vidraça, não pixou os muros, não riscou as carteiras, não fumou escondida no banheiro. Ela apenas pintou o cabelo de azul.

No último dia 13 de fevereiro, Bell e uma amiga que usa parte do cabelo raspado, foram chamadas à sala do diretor do colégio, o professor Danival Roberto Alves.

"...chegamos lá, o Professor Danival foi claro e grosso. Disse que nós não nos enquadrávamos no regulamento do colégio e que tínhamos até o dia seguinte para nos enquadrarmos ou poderiamos nos sentir à vontade para nos retirarmos da escola. E eu educadamente perguntei pra ele:
-  'Mas professor, isso está no contrato?' - Ele virou sendo muuuuito grosso e respondeu: 'Ah por favor né minha filha!'" relata Isabella.

Bell após a aula comunicou seu pai, Guilherme Diamantino, afinal não teria como mudar de escola ou pintar o cabelo em apenas um dia. Diamantino foi então até o colégio onde foi recebido por um senhor muito educado e cordato (sim, estamos falando do Danival) que disse não ter sido bem assim, e que a aluna teria tempo para refletir ou mudar de escola, sem prejuízo de sua vida escolar.

Ontem dia 14, a aluna entrou normalmente na escola e assistiu às aulas sem nenhum problema. O pesadelo só recomeçou hoje pela manhã, já nos corredores do colégio, foi interceptada aos gritos de : "EI MENINA DO CABELO AZUL!"

"Eu voltei para a portaria e o mesmo diciplinar o qual havia passado minha carteirinha veio me falar que eu não podia entrar, que eu estava ciente disso, que o professor Danival havia me avisado que se eu não estivesse de cabelo preto, eu não entraria. Respondi  não foi nada disso. Que meu pai havia ido conversar com ele e que ele falou que eu poderia continuar frequentando a escola até pensar direito ou arrumar outra escola." diz a aluna.

Ainda segundo Isabella, o disciplinar rebateu dizendo não ter sido nada disso, que tinha ORDENS de não permitir a sua entrada. A aluna então pediu para novamente falar com o diretor do colégio, e foi conduzida até a sala do mesmo, onde foi informada por outra funcionária de que o diretor Danival estava em viagem particular e que apenas havia deixado a ordem de não deixar Isabella entrar no colégio caso ainda estivesse com os cabelos azuis.

"Todos os alunos viram isso. Viram eu entrando e tendo que sair da escola. Foi extremamente humilhante. Passei a manhã toda chorando. Afinal, sou adolescente. Escolhi a forma menos radical de me expor, que foi pintando o cabelo. E me humilharam na frente de todos", desabafa .

Já passei por isso. Meu filho que usava os cabelos compridos desde os cinco anos, teve que cortá-los aos 12, depois de anos de discussões, humilhações passadas na escola, vindas principalmente de educadores, como a professora que o obrigava a usar a tiara rosa das colegas de sala, ou o professor de educação física que incitava os outros alunos a chamá-lo de 'viadinho'. A gota d'água foi quando uma sargento militar que ministrava palestras na escola em que meu filho estudava, ligou em minha casa, fazendo ameças veladas.

Nesses últimos três anos, não houve um dia em que eu não me arrependesse de ter cortado os cabelos de Petrus.

Voltando ao caso de Isabella Diamantino; não é justo que ela tenha que abrir mão de algo que diz respeito a ela, que foi amplamente aceito em sua casa, por causa dos preconceitos de um educador. Aliás, é inconcebível que alguém que detenha o título de EDUCADOR tenha esse tipo de postura. Como ensinar, respeito, como fazer com que os preconceitos e discriminações sejam descartados se o próprio ambiente educacional, que deveria auxiliar na formação de pessoas, as ensina a condenar as diferenças?

"...não pode mais existir esse tipo de coisa. Não em 2012, é por isso que a sociedade não evolui. A discrepância entre o discurso de 'é preciso vencer a discriminação' e a atitude discriminatória é muito grande. Além da covardia de viajar pra não encarar a responsabilidade de uma atitude" diz incorformado o pai da estudante, Guilherme Diamantino.

Isabella nunca teve problemas disciplinares e de repente por uma decisão que só diz respeito a ela e a seus pais, teve seu direito à educação e a ir e vir, tolhido e cerceado.

Que vergonha meu Deus, que vergonha que essa Uberaba ainda me faz passar.

UPDATE (15/02/2012 21h45)
Gostaria de agradecer a todos os que leram e comentaram no post. Gostaria de fazer uma pequena observação:

O Guilherme Diamantino, diante da colocação do professor Danival de que o cabelo da filha dele era inadequado decidiu por retirar a filha do colégio. Apenas ficou acordado entre eles que seria dado um prazo hábil para isso. A revolta toda foi por o combinado não ter sido cumprido, o que levou a adolescente a se sentir humilhada diante de seus colegas e o conceito de humilhação é relativo a cada um.

Ninguém gosta de se sentir discriminado. Ninguém quer ser apontado por ser negro, gordo, alto, baixo, branco, amarelo, nerd, católico, gay, de esquerda ou de direita. Tenho certeza de que todos que aqui comentaram gostam de ser tratados com respeito, o mesmo respeito que foi negado à Isabella.

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