O jogo, o menino e nem todos os santos

                                                    (Foto: Reuters) Após o passeio do Barcelona sobre o Santos, mais do que as piadinhas...

                                                    (Foto: Reuters)

Após o passeio do Barcelona sobre o Santos, mais do que as piadinhas,  e outras falácias de torcedores de outros times, fica uma pergunta: O Barcelona é realmente um time inigualável, insuperável ou foi o futebol brasileiro que se acomodou na mediocridade?

Em 1987, o então favorito e insuperável time de basquete norte-americano, perdeu para o  Brasil numa final fantástica do Panamericano dos Estados Unidos; em 2008 a seleção de vôlei de Bernardinho perdeu o ouro olímpico para os Estados Unidos.

Não existem times insuperáveis, existem bons trabalhos. Times são coletivos, é um erro grosseiro e típico dos times brasileiros, achar que um talento supre todas as deficiências de um time inteiro. Quando se preocupa em dar qualidade ao elenco como um todo, quando se estabelece um projeto e se segue esse projeto ao longo dos anos, têm-se times  como a Seleção Brasileira de Vôlei, times como o Barcelona.

Mas o Brasil que tem se desenvolvido e buscado excelência em outros esportes, têm-se afundado na mediocridade em se tratando de futebol. Joga-se pra conseguir um empate que matematicamente te garanta alguma coisa, joga-se em função de Libertadores da América, que se dane os outros campeonatos, quem se importa? Criou-se essa mentalidade besta de que o importante é competir/ganhar a Libertadores e daí os times vivem em função da Libertadores,  o que se vê em jogos dos Campeonatos Estaduais, da Copa do Brasil, do  Campeonato Brasileiro, são jogos mais ou menos, a minimização dessas conquistas. Joga-se as competições nacionais com times reservas, ou com titulares apáticos com medo de lesões, afinal, o máximo deve ser dado só em função da Libertadores.

Está errado. Messi hoje disse que o diferencial do Barcelona é a concentração, joga-se cada jogo como uma final. Para eles, o importante é ganhar, seja o torneio que for, a bola tem que ser deles. E o que se viu foi a confirmação disso: três quartos de posse de bola.

E o Santos? O Santos ganhou a Libertadores e ficou se arrastando o resto do ano, mesclando poucos momentos de genialidade com apatia e mesmo incompetência. E que importância tem, afinal já eram campeões da Libertadores, os torcedores que sonhassem com o Mundial de Clubes e engolissem a seco a performance apática, burocrática do time ao longo do Brasileirão. A exceção do jogo contra o Flamengo, um espetáculo de ambas as partes, o Santos jogou o Campeonato Brasileiro, o suficiente para não cair pra segunda divisão e só.

Os ditos grandes jogadores que estão voltando da Europa para jogar no Brasil, não estão voltando pela torcida, pela proximidade da família, pelos seus times de coração. Voltam por não alcançarem mais o padrão de qualidade necessário para se atuar lá, onde futebol é negócio e não mamata. Preferem ser titulares no Brasil, sem grandes exigências e com todas as benesses de serem grandes estrelas, do que se conformarem com o banco de reservas e a execração pública nos times europeus. 

Temos ainda, os melhores jogadores. Basta ver a quantidade de brasileiros no time do Barcelona, o que era o Daniel Alves naquele jogo? 

Se ainda temos os melhores jogadores, o que precisa mudar é o jeito de jogar. Chega de futebol pela matemática, pela probabilidade de ir para a Libertadores, Sul Americana, chega dessa conversa fiada de que estadual é só pra time pequeno. Que joguem pela vitória, pelo escudo, pela torcida, que não se pendurem num ou outro jogador e aprendam que como time, devem buscar a excelência como um todo, são onze em campo.

E Neymar, um menino, ainda tendo que lidar com as agruras da adolescência e as responsabilidades de profissional talentoso, tendo que carregar nas costas a responsabilidade por um time fraco, foi homem e lúcido o bastante, para dizer a verdade: O  Barcelona ensinou como se joga futebol.

E Rafael, parabéns. Num time morto como o Santos que enfrentou o Barcelona, se não fosse a sua hombridade, o placar teria sido muito, muito pior.

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