Projeto Cão Guia SESI-SP

Quem costuma ouvir o Nerdcast ou é rato de Twitter, com certeza pelo menos já ouviu falar em Lucas Radaelli ( @lucasradaelli ). Lucas...



Quem costuma ouvir o Nerdcast ou é rato de Twitter, com certeza pelo menos já ouviu falar em Lucas Radaelli (@lucasradaelli). Lucas é um jovem paranaense nerd, universitário, programador, toca guitarra, fala inglês, quaaaase dominando o alemão... e é cego. Lucas nasceu sem a visão do olho esquerdo e perdeu a do olho direito pouco antes dos 4 anos de idade. Não vou me estender muito, mas o fato é aos 16 anos ele iniciou sua busca por um cão guia. Essa busca findou quase três anos depois, quando Lucas viajou para os Estados Unidos no primeiro semestre deste ano, para passar pelo treinamento da Guiding Eyes for the Blind uma ONG norte americana que o aceitou em seu programa e hoje ele tem a companhia do cão guia Timmy.


O fato é que Lucas lutou muito por isso. Estudou inglês, buscou informações, se inscreveu onde pode, a família teve condições de apoiá-lo em sua decisão de ter um cão guia.

Lucas e Timmy no alojamento da Guiding Eyes

Mas está errado. Não deveria ser tão difícil assim ter acesso a algo que é garantido por lei. Não deveria ser necessário passar anos correndo atrás de instituições ESTRANGEIRAS para se ter acesso a algo que lhe garanta um pouco mais de cidadania. Aqui em Uberaba temos o ICBC (Instituto dos Cegos do Brasil Central), que oferece aos deficientes visuais, educação e autonomia, mas que infelizmente não tem condições financeiras de bancar um programa de treinamento e doação de cães guias.

Então hoje vejo a feliz notícia de que o SESI São Paulo abriu o Projeto Cão Guia Sesi-SP. O projeto visa não só oferecer mobilidade autônoma para o trabalho e desenvolvimento das atividades diárias dos deficientes visuais com maior independência e segurança mas também à formação de novos treinadores e instrutores de dupla. É um avanço no Brasil.

O projeto está em sua fase inicial, ou seja, a de acolhimento e socialização dos cães guias. Os filhotes são entregues a famílias com quem ficam por um período de um ano aprendendo a viver em sociedade. Não pensem que é só colocar o cachorro embaixo do braço e levar pra casa. Há uma série de regras e normas a serem cumpridas e ainda tem o mais difícil; devolver o animal ao cachorro, ou vocês pensam que é fácil cuidar de um bichinho durante um ano, vê-lo crescer partilhar suas descobertas e experiências e depois vê-lo ser levado embora? Amor não é coisa que caiba na mala. Até aqui 29 filhotes de labrador já foram acolhidos, e até o fim de 2011 mais 3 serão integrados ao programa.

Findo esse período de socialização, se iniciará a parte de treinamento dos cães, quando serão qualificados para serem cães guias. Finda essa etapa, será a vez da etapa de instrução, que é a etapa que Lucas vivenciou nos Estados Unidos e relatou detalhadamente em seu blog.

Se você quiser e principalmente, puder acolher um desses cães que serão treinados, inscreva-se no site do Sesi SP.

Espero que o projeto prospere, forme bons instrutores, bons cães e possa oferecer aos deficientes visuais, a garantia do seu direito de ir e vir, sem precisar buscar ajuda fora de seu próprio país.

Quer conhecer o dia a dia dos filhotes? Visite a fan page do projeto, você vai vomitar arco íris *-*

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