Who's MAD? A saga de uma revista


Essa semana na faculdade, senti o peso da idade, mas também quem manda querer andar no meio da garotada entre 18 e 20 anos?
Sim pessoas, vi que estava velha, quando citei a revista MAD e o Vinnie, meu colega de sala, me perguntou o que era isso.

Como assim uma pessoa, saindo da adolescência que não conhece a revista MAD? A resposta lógica, veio rapidamente através de mim mesma, afinal, mais de 10 anos separavam a minha adolescência da adolescência do Vinnie...
Tá mas você que provavelmente também nunca ouviu falar da MAD deve estar se perguntando, que p*** é essa, então tentarei explicar.
A revista MAD é uma revista voltada para o público jovem, lançada em 1952 pela EC Comics, uma editora de quadrinhos, com grande sucesso na linha de terror; jogadas políticas porém, barraram o sucesso das HQ's de terror da EC e tudo que lhes restou foi a MAD, que nada mais era do que um meio de fazer piada, não só com as histórias de terror da EC, mas também de tudo que se relacionasse à cultura norte americana, criada e editoriada por Willian Gaines e Harvey Kurtzman.
MAD era o avesso de toda e qualquer revista; com um humor tosco, agressivo, sarcástico, mas extremamente inteligente e bem desenhado, tornou-se logo sucesso entre o público jovem.
É claro que o sucesso da revista causou alvoroço entre concorrentes e políticos; a revista chegou a ser proibida, investigada pelo FBI e recolhida por professores nos Estados Unidos.

Apesar de ter uma boa procura nas bancas de revistas especializadas em publicações estrangeiras, no Brasil, a revista só começou a ser editoriada e publicada em português, na década de 70, pela editora Vecchi, com o comando de Otacílio D'Assunção, ou como ficou conhecido pelos leitores brasileiros, o Ota. A editora, temendo um fracasso lançou apenas 40 mil exemplares, nas praças de Rio de Janeiro e São Paulo; mas o sucesso do primeiro número, foi tal, que tiveram que imprimir mais 30 mil exemplares às pressas da MAD em Português.
Era o ínício da primeira fase da Mad no Brasil, que durou mais ou menos 10 anos. Com o fim da editora Vecchi, a revista ficou fora de circulação até a Editora Record adquirir os direitos de publicação dos livros e revistas MAD, por volta de 1984, contando com a volta de Ota no comando editorial da revista. Novamente uma primeira tiragem de 40 mil exemplares, novamente um sucesso de vendas que obrigou a editora a imprimir novas tiragens às pressas.
A revista só emplacou no Brasil (após fracassar em todos os países de língua latina onde foi traduzida), graças à uma equipe que soube adaptar o humor ácido da revista, para a realidade Brasileira. O que ocorreu é que, se nos EUA, a revista tinha 8 edições anuais, no Brasil, eram 12, que contavam não só com a tradução do material americano, mas também com material desenvolvido por brasileiros, que seguiam a linha editorial da revista, mas faziam piada com a nossa cultura (e principalmente a falta dela), nossos políticos, nosso realidade.
Vieram os anos 90, os adolescentes cresceram, a internet tomou o posto de entretenimento oficial destes, e a revista foi sendo relegada a um cantinho nas bancas, lá no fundo, junto com outras revistas de quadrinhos, e em meados dos anos 2000 a record resolveu deixar a revista MAD de lado, e Ota, que então se tornara não só editor mas, também o colaborador mais famoso da MAD in Brazil, voltou a se ver desempregado. A sorte de Ota e dos leitores da MAD é que esse período de ostracismo foi curto, afinal, poucos meses depois, a editora Mythos, assumiu os direitos de publicação da revista e trazendo Ota mais uma vez à frente da revista, iniciou a 3ª fase da revista no Brasil, fase essa que durou até o final de 2006. Atualmente a revista é publicada pela editora Panini, que até chegou a chamar Ota para editoriar a revista, mas acabou dando-lhe um pé e agora a revista é comandada por Raphael Fernandes.
Na minha adolescência, MAD era juntamente com a revista Bizz, a mais lida pelo público jovem no Brasil; hoje, os tempos são outros, meu filho está entrando na adolescência e não tem esse mesmo gosto que eu tinha por revistas, é uma nova geração, que lida com outros meios de comunicação.
Mas a MAD continua, com seu estilo inconfundível, e está à disposição do público jovem, é só procurar uma banca de revistas perto de você.
Site oficial da revista MAD
Site oficial da revista MAD no Brasil
Site NÃO oficial da revista MAD no Brasil
Site do Ota

8 comentários:

  1. Engraçado... Um pouco do choque de gerações eu também senti quando voltei pra faculdade e comentei do Dilbert no meu curso. O porém é que o Dilbert não estava tão distante assim do povo e o curso em questão era de Ciência da Computação. Como assim um aluno dessa área nunca ouviu falr do Dilbert? Se na nossa geração a televisão nos deixou burros, muito burros, burros demais, a internet conseguiu fazer estrago maior por essa nova geração.

    É isso.

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  2. pois é, ninguem conhece mais nd, atualmente...

    mas mto legal o post!

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  3. Acredito que o problema nem seja a tecnologia... Acho que o senso de humor do povo "emburreceu" com a idade. Vide os programas "humorísticos" que temos na TV hoje em dia...

    As memórias da MAD são muito boas... Aragonés, Spy vs. Spy, Don Martin, as adaptações de filmes... tudo clássico!

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  4. Opa... enfim uma reportagem boa sobre a minha ex-revista.
    Apenas uma correção. O que sofreu pressão e gerou até CPI nos EUA foram as revistas de terror da mesma editora... mad escapou e nunca teve problemas, a não ser uma vez que de brincadeira deram uma nota de zero dólar e o FBI apareceu lá pra avisá-los que os garotos estavam usando as notas nas máquinas automáticas de vender doces ou refris.

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  5. Ops... esqueci de assinar o comentário acima

    Ota

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  6. Realmente um ato falho, então, corrigindo:
    Sim, foram as revistas de terror da EC Comics que despertaram a fúria da concorrência e movimentaram um lobby político que causou a derrocada da EC Comics e MAD foi a publicação que escapou dessa 'inquisição'.
    Obrigada, como já disse em um comentário perdido em outro post qualquer, adoro quando me corrigem e vindo de quem veio essa errata se tornou muito especial.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Eu cheguei a comprar edições em dobro pra poder dobrar a página final e ainda ter uma intacta, se eu soubesse que no futuro minha coleção seria dada pra reciclagem pela minha (santa) mãe (eufemismo pra não chamar de coisa pior)... Acho até que o destino da minha coleção só teria sido mais digno se fosse usada como papel higiênico, como provavelmente o Ota diria caso eu tivesse escrito este comentário na sessão de cartas do leitor.

    Mr. E

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